No dia 18 de junho comemorou-se os 112 anos da chegada e presença do imigrante japonês no Brasil. Atentos e gratos a esta presença, o Santuário São Miguel Arcanjo, junto com a Pastoral Nipo-Brasileira (Panib) e a ACEB (Associação Cultural e Esportiva de Bandeirantes) realizará pelo terceiro ano consecutivo a Santa Missa em Ação de Graças pela imigração japonesa ao Brasil.

“Cremos que a Santa Missa em Ação de Graças – que infelizmente este ano será apenas on line – é um incentivo para manter a unidade das novas gerações nipo-brasileiras, cultivar a memória dos pioneiros que aqui chegaram a 112 anos, favorecer a integração entre os povos e até mesmo rever uma dívida de hostilidade com este povo” afirma o reitor do Santuário, Pe. Rosinei Toniette.

Apesar do catolicismo não ser uma religião tradicional no Japão, no início do século passado, já estava presente entre os primeiros imigrantes que aqui chegaram, e esta integração também se tornou mais forte, fato que se demonstra por diversos sacerdotes e mesmo bispos descendentes de japoneses que fazem parte da Igreja Católica no Brasil.

A Santa Missa no Santuário São Miguel Arcanjo será presidida por Dom Julio Endi Akamine, Sac – Arcebispo Metropolitano de Sorocaba SP – no domingo 19 de julho as 15 horas e será transmitida pelo canal www.youtube.com/ssmaoficial ou clique neste link https://youtu.be/fkLdr3meZnY .

Os pioneiros entre nós!

No dia 18 de junho de 1908, após o acordo imigratório entre os governos do Brasil e do Japão – Projeto de Colonização “Monções” – desembarcaram no Porto de Santos as primeiras famílias corajosas e ousadas vindas das longínquas áreas agrícolas do norte e sul do Japão para o desconhecido Brasil. Estas famílias, com a falta de trabalho em sua terra natal, traziam em seu bojo grandes sonhos que se concretizariam a partir do trabalho nos cafezais que estavam em expansão no Brasil, e ansiavam por retornar posteriormente para ser rincão natal. Nas décadas seguintes, quase 200 mil japoneses chegaram ao Brasil, fixando-se grande parte no Estado de São Paulo e outra se dispersando por todo o território brasileiro.

Em 1912 a Região Norte do Paraná foi agraciada mais fortemente com a chegada de famílias provenientes da província de Fukushima que estabeleceram parcerias com fazendeiros desta região. Assim se formava uma das colônias japonesas mais numerosas do Brasil.

Não foram poucos os desafios e empecilhos que os japoneses superaram, por vezes até tentaram regressar ao seu país de origem, mas não lhes era permitido pelos contratos de trabalho que deveriam ser cumpridos com os fazendeiros.

Não bastasse as dificuldades dos imigrantes para adaptação à língua, cultura, clima, crenças, arte, costumes, etc., a oposição aos japoneses tornou-se evidente pelo governo brasileiro durante a Segunda Guerra Mundial que chegou a impedir a dicção do idioma japonês e toda e qualquer forma de manifestação cultural em solo brasileiro.

Nestes 112 anos de presença no Brasil, desde que os primeiros japoneses chegaram, as sementes de milhares de famílias nipo-brasileiras foram plantadas e continuam sendo semeadas. Hoje, famílias nipo-brasileiras, que nos presentearam com milhares de nikkeis (cidadãos brasileiros com descendência japonesa) estão presentes de Norte ao Sul do País. Nisseis, sanseis e nikkeis, ou filhos, netos e descendentes dos japoneses, ajudam bravamente a construir o Brasil e preservam consigo muito das tradições e costumes do Japão, fazendo do Brasil o país que mais abriga imigrantes japoneses.

Nossa profunda gratidão a todos que fazem parte desta história.

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